ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN E PIETRO UBALDI

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sexta-feira, 6 de março de 2015

A GRANDE SINTESE E A NOVA TEORIA DE EINSTEIN

Comentário(s)

(Esclarecimentos)


Tenho diante de mim vários jornais italianos, de 1950, abordando "Il Caso La Grande Síntese e la nuova teoria di Einstein". La Nazione, de Florença (26 e 31 de janeiro); L'Umbria, de Perúgia (31 de janeiro); La Setímana, de Piacenza (13 de março); a revis­ta Quaderni dei 2000, de Milão (mês de julho); na revista Estudos Psíquicos, de Lisboa - Portugal (março/abril de 1950), aparece­ram "De Ubaldi a Einstein" e "O Caso A Grande Síntese e a nova teoria de Einstein"; o jornal Diário de São Paulo (2 de julho de 1950) publicou: "Antecipação mediúnica da descoberta da cha­ve do universo, por Einstein"; a revista La Idea, de Buenos Aires — Argentina (maio de 1950, apresentou: "El Caso Gran Síntesis"; a revista Constancia, também de Buenos Aires, e outras dos Esta­dos Unidos, deram amplo destaque ao fato. Este caso foi intitulado "A Grande Síntese e a Nova Teoria de Einstein". Vou resumi-lo, apoiado nas revistas e jornais acima, além de A Grande Síntese.

Uma notícia sensacional percorreu os jornais nestas últi­mas semanas: o grande matemático Einstein formulou uma teoria, pela qual se teria descoberto o elo que faltava para a concepção unitária do universo. Com sua famosa teoria da relatividade, só mais tarde experimentalmente confirmada, Einstein já demonstrara por meio da matemática, a estreita relação quadridimensional entre as duas dimensões espaço e tempo. Faltava ainda, entretanto, a de­monstração matemática da relação entre todas as forças cósmicas e portanto de sua unidade. Isto foi conseguido com a nova teoria que Einstein definiu: "teoria generalizada da gravitação e teoria do campo unificado", que conclui com quatro equações todas iguais a zero. Com ela, quer explicar a origem de todo o movimento do universo. Achou-se, dessa forma, uma relação íntima entre a ele­tricidade e a gravitação, que assume então um conceito completa­mente novo, que não é mais o da física mecanicista Newtoniana, admitida por todos até ontem. Essa afinidade faz da eletricidade e da gravitação duas forças afins, irmãs, derivadas de um único princípio unitário. Eis o elo que faltava, para poder demonstrar a concepção monística e unitária do cosmos.

Em nosso caso, o fato é simplesmente o seguinte: o que os jornais anunciam ter sido descoberto agora pelos caminhos da matemática, já fora descoberto pelos caminhos da metapsíquica há 18 anos, e publicado pela primeira vez na revista Ali del Pensiero, de Milão, em 1932, na obra que depois apareceu em volume, A Grande Síntese, e que agora está editado em Roma, em terceira edição, além de em Buenos Aires, no Rio de Janeiro, e outros lugares.

Ora, qualquer pessoa pode verificar que aí está desenvol­vida não só a teoria da evolução das dimensões, que filosoficamen­te completa e enquadra, em toda a escala das dimensões, a concepção matemática de Einstein, do "contínuo" espaço-tempo, mas tam­bém a própria afinidade entre eletricidade e gravitação; até a íntima natureza desta última, já havia sido explicada. No capítulo XXXVIII de A Grande Síntese — "Gênese da gravitação", vamos encontrar:

"Eis-nos às primeiras afirmações, novas em vosso mundo científico. "A gravitação, e mais exatamente a energia gravífica, é a protoforma do universo dinâmico. Sendo energia, é radiante e se transmite por ondas. Tem "uma velocidade sua, de propaga­ção (....), máxima no sistema. Aqui são completados os concei­tos da teoria de Einstein. A gravitação é relativa à velocidade de translação dos corpos. A massa varia com a velocidade, de que é função. O peso aumenta por novas transmissões de energia e vice-versa. O conceito de transmissão instantânea cai para todas as for­ças. A gravitação emprega tempo, ainda que mínimo, para trans­mitir-se; ela tem, como todas as formas dinâmicas, um comprimen­to típico de onda, que lhe é próprio".

A lei de Newton, da gravitação universal, apenas indica o princípio que mede a difusão da energia gravífica, o qual é ape­nas um aspecto do princípio que regula a difusão de qualquer for­ma de energia a que demonstra sua origem comum, o princípio da onda e de sua transmissão esférica. As radiações conservam todas as suas características fundamentais de energia cinética, da qual nasceram e é essa identidade de origem que estabelece entre elas essa afinidade de parentesco. Outra prova dessa afinidade entre as formas dinâmicas reside na qualidade da luz, próxima derivação, por evolução, da energia gravífica. Nesta forma de energia radian­te luminosa, achais, em parte, as características da forma originá­ria da energia radiante gravífica (.....). Poder-se-á dizer que a luz pesa; ou seja, a luz sofre o influxo dos impulsos atrativos e repulsivos de ordem gravífica; e que existe uma pressão das radiações lumi­nosas. Direi mais: todas as radiações exercitam, ao propagar-se, uma pressão de natureza gravífica, e apresentam fenômenos de atração e repulsão, em relação direta com sua proximidade genética, na su­cessão evolutiva, com sua protoforma dinâmica, a gravitação.

Esse capítulo assim concluía: "dirigi as pesquisas neste sentido, analisai com o cálculo estes princípios" (. .. .), quase pre­vendo que, só com o cálculo, seria possível iniciar a demonstração, como agora ocorreu.

Neste ponto, a imprensa que com o caso se ocupou, per­guntava-se como tinha sido possível uma tal antecipação de conclu­sões, mas não pode dar uma resposta satisfatória. Senti-me, por isso, no dever de expor diretamente meu ponto de vista. Disse­ram: como é possível que um homem desprovido de cultura espe­cífica matemática e científica, que não estava ao corrente dos pro­cessos einsteinianos, pôde antecipar dessa forma suas conclusões? Falou-se de intuição filosófica. Que podemos entender com isso?

Aqui há dois problemas a esclarecer: o matemático e o psicológico. Quanto ao primeiro, para evitar equívocos e exageros reclamísticos, digamos logo que ninguém pretende que A Grande Síntese tenha dado a fórmula matemática expressa por Einstein, em sua "Teoria generalizada da gravitação e teoria do campo uni­ficado". Nossa atitude nada tem de polêmica, nem pretende rei­vindicar prioridades neste campo. A Grande Síntese cabe, ao invés, a formulação filosófica dos mesmos princípios, e é nesse sentido que deve compreender-se sua prioridade. Trata-se da descoberta e exposição das mesmas verdades, mas de forma diversa, o que pode ter alcance e conseqüências diversas, até maiores, não, de certo, no campo físico-matemático, mas no filosófico. Aqui não é possível aprofundar isto, mesmo porque a imprensa não deu a conhecer as particularidades das novas teorias einsteinianas. No entanto, é cer­to que a formulação que esta realizou é muito mais profunda nos particulares e está demonstrada, ao menos como processo lógico-matemático. Em compensação, só a formulação de A Grande Sín­tese está enquadrada num sistema filosófico universal, que está pre­so aos fenômenos e que justifica e prova aquela formulação filosó­fica, mesmo do ponto de vista racional e científico e, assim, indire­tamente, prova também a formulação matemática de Einstein. Isto até ao ponto em que, enquanto esta espera sua confirmação experi­mental para sentir provada, a nós ela já aparece perfeitamente ver­dadeira, tanto que pode desde agora ter a segurança de que, os fa­tos com que entrará em contato, só poderão demonstrá-la.

Esclareçamos agora o outro problema, o psicológico, o que de mais perto diz respeito ao caso atual e à gênese. O fato é que ambas as formulações são devidas a um processo de intuição. Na profundidade das operações da lógica matemática de Einstein, há um ato de intuição que sustentou e guiou o raciocínio dele até o fim. O mesmo ato de intuição que, levado até o método super-ra­cional, foi usado regularmente ao ser concebido e exposto o siste­ma filosófico-científico de A Grande Síntese. Só com a lógica ra­cional, demonstra-se; mas não se. cria. Se há alguma diferença en­tre os dois casos, é que, nos processos einsteinianos aparece a lógica matemática, mais do que a intuição; ao passo que, em A Grande Síntese, dominam os processos intuitivos, usando-se a demonstra­ção racional como uma descida necessária para fazer-se compreen­der, numa dimensão conceptual inferior, que é a do homem atual. É por isso que se explica porque A Grande Síntese pôde atingir as mesmas conclusões 18 anos antes, pois, pela rapidez, a intuição está para o raciocínio, como a luz está para o som. Mas é inegável que as teorias de A Grande Síntese tiveram uma confirmação podero­sa com o raciocínio einsteniano, ainda que esse raciocínio espere, agora, a confirmação experimental, que, para ambas as formula­ções, que agora estão emparelhadas, será decisiva. Isto poder for­çar a reflexão de quem, a princípio, julgou A Grande Síntese cheia de erros. Enquanto isso, a formulação filosófica prova a formula­ção matemática, porque a enquadra num sistema universal, em que achamos posta, orgânica e logicamente, a explicação de todos os fenômenos conhecidos; em contrapartida, a formulação matemática, rigidamente conduzida pela lógica do grande cientista, prova a for­mulação filosófica. Ambas parecem completar-se e complementar-se.

Devo agora focalizar outro ponto, o mais complexo. Como cheguei a esta formulação filosófica, sem possuir os meios cultu­rais de Einstein? Que se entende por método de intuição? A Grande Síntese apareceu, em seu tempo, como devida a um fenômeno ins­pirativo, super-racional. Apareceu como um produto de estados de consciência super-normais, enquanto, por minha conta, eu continuava indagando e controlando, com a crítica mais severa, psicoló­gica e científica, a ver se explicava o fenômeno. Percebi de ime­diato que este fenômeno era mais complexo do que parecia, e que a concepção espírita de uma entidade que transmitia e de um indiví­duo que recebia, mais ou menos em transe, era por demais elemen­tar para poder explicá-la. Eu mesmo iniciei o estudo deste meu ca­so no volume As Noúres, e desde então muito tenho progredido, seja pela evolução do próprio fenômeno inspirativo, que no seu caso está em contínua ascensão, seja por meios cada vez mais com­pletos de pesquisa que esse fato me dava. Hoje, a solução corrente de mediunidade não mais se adapta. nem é suficiente. Precisamos aqui, não da solução do problema isolado, mas em função da solu­ção do problema cósmico, em que todos os outros se equacionam e se resolvem. E isto, muito mais para o problema do espírito, que resume em si tantos outros, como numa síntese. Nenhum problema se resolve isoladamente, e, para compreender este, tive antes, em sete volumes até hoje, que resolver muitos outros. Procuremos pois, hoje, superado o simplicismo do conceito mediúnico, resumir em poucas palavras a complexidade do fenômeno.

A mais avançada ciência moderna leva-me, de todos os lados, à mesma conclusão (veja-se Problemas do Futuro: "a última substância do universo é de natureza abstrata, é um pensamento, aquilo que as religiões chamam Deus"). Este pensamento, que agora a ciência, pesquisando cada vez mais no fundo, foi obrigada a en­contrar, está escrito em todos os fenômenos, está no âmago das coisas, é o princípio vital que tudo anima, é a consciência do universo, é o Deus transcendente que, no ato em que Ele tudo rege e guia, assume o aspecto de imanente. Ora, a pequena consciência individual é um pequeno círculo que, como "eu", evolui, e se dis­tingue de todos os "eus" dos outros seres, neste "todo" pensante. Por isso ele se dilata e extravasa cada vez mais na consciência universal que, normalmente, para ele, está fora de seu consciente, ou seja, para ele é uma zona de inconsciente, embora manifestan­do-se através dele por sínteses e comandos, como os instintos, as intuições etc.

Que é então a inspiração? É um extravasamento, por evo­lução, de consciências individuais em expansão, nos campos do consciente universal, Deus. Evolução implica sensibilização, que são novos olhos que se abrem para ver mais longo. E olhamos, não em transe, mas altamente consciente e duplamente atentos. O pen­samento desta consciência universal já está escrito em todos os fe­nômenos que, com seu funcionamento, o mostram a quem saiba abrir esses novos olhos do espírito. As descobertas já estão todas feitas, e já estão todas em ato no universo, os problemas estão to­dos resolvidos, porque tudo está funcionando consequentemente. As descobertas aparecem concomitantemente nos pontos mais dife­rentes do globo, porque são o resultado de intuições dadas pela ma­turação biológica. O mistério existe apenas em nossos olhos míopes. Às vezes não é raciocinando nem estudando nos livros, mas abrin­do esses novos olhos, por evolução, — muitas vezes feita apenas de dor e maceração — que se pode chegar a ver. Então, é por catarse do "eu" que se fazem descobertas. Eis a intuição.

É este o meu caso. Estudando-o, vi como funciona a evo­lução e os processos intuitivos que com ela estão conexos. A prin­cípio utilizei-os instintivamente, ou seja, sendo eu manobrado como instrumento do consciente universal, sem que eu soubesse exata­mente como.  Mas, observando e examinando cuidadosamente, consegui perceber a técnica do fenômeno. Tendo-a assim analisa­do, formulei o que hoje chamo o "método da intuição", que, ao menos para mim, constitui hoje um instrumento regular de pesquisa, e que produziu um original sistema orgânico que já está em seu nono volume. Achei com isto a chave de todos os problemas do universo.

Só assim posso explicar-me como minha pesquisa científi­ca caminha ao lado da espiritual e como os problemas einsteinianos estejam, para mim, conexos e coordenados com os do misticismo. Goste-se ou não da palavra "monismo", o fato é que o pensamen­to de Deus é uno. Goste-se ou não das palavras "mediunidade", "ultrafania", "inspiração" etc. (as palavras são palavras), o fato é que a maceração evolutiva está operando neste caso a catarse bio­lógica que leva minha consciência individual a realizar um ainda que mínimo extravasamento além da média normal, na consciência universal. Assim, sem estudo específico nem processos racionais, nasce no indivíduo um relance de visões que  ele, simplesmente olhando com esses novos olhos espirituais de sensibilizado, registra com rapidez. Nascem assim os meus volumes em continuação, um depois do outro, sem preparação e sem pausas. Nesses, não sou eu que falo, mas é a vida, é essa consciência universal, como acontece todas as vezes em que o homem cria, na Terra, coisas novas, por­que elas só podem provir daquela fonte. É natural, então que a ciência que daí nasce esteja saturada de sentido religioso e místico e dos estados de consciência a ele inerentes, e que a exposição pos­sa chegar a todos os campos, e resolver todos os problemas sempre orientada dentro do todo. Eis a síntese, porque o pensamento par­te do Uno. Trata-se de um pensamento que está nos antípodas da ciência atual, e que poderá ajudá-la a salvar-se da especialização que tende a dispersá-la nos particulares e nos múltiplos, que é o reino satânico da pulverização do Uno, e está em seu antípoda.

Concluo. Eu tinha o dever de dizer isso, já que na im­prensa e numa multidão de cartas, muitos vão admirando em mim — quem sabe — algum engenho. Nada de engenho. A única coisa que faço é ler no livro da vida e sou apenas um pobre amanuense que procura transcrevê-lo e fielmente. Isto será super-normal. Mas apenas em relação ao normal humano. Diante, porém do conscien­te universal, do infinito pensamento de Deus, o que é um infinitésimo a mais?

Estas minhas conclusões, provenientes da infinita miséria que, naturalmente, todo ser deve sentir de si mesmo quando se avi­zinha ao pensamento diretivo do universo, podem ser uma prova da genuína realidade do fenômeno. Mas não sei se assim possa chamar-se um caso natural de evolução que, como é lógico, é lei igual para todos, que os espera amanhã, pois a evolução significa justamente expansão da consciência individual na universal, ou se­ja, ascese da alma para Deus.

Quem quiser sorrir ceticamente destas coisas que lhe po­derão parecer loucuras, segundo a psicologia materialista hoje em voga, experimente, antes, ler as 3.000 páginas dos nove volumes já publicados, compreendendo-as. Depois experimente escrever outros nove volumes; o décimo está em preparação e outros a eles se se­guirão. Experimente lançá-los em 18 anos, por entre uma guer­ra como a última, nos dois hemisférios, em várias línguas e edições, que, para alguns escritos, atingiram meio milhão de cópias. Faça isso sozinho, sem preparação e sem meios, desconhecido e es­torvado, sem representar nenhum interesse nem grupo humano que o lance e sustente como seu expoente. Experimente conceber um plano do universo, em que os problemas do espírito estejam resol­vidos, ao lado das últimas teorias físico-matemáticas, que mais tar­de se enquadrarão de per si, também, nas de Einstein. Experimen­te fazer tudo isso e somente se tiver êxito, poderá então rir destas coisas. Porque os fatos são fatos e não se destroem pela psicologia materialista, com um sorriso cético. E, excluindo a intervenção de forças super-humanas, como explica isso a psicologia materialista?

Gúbio, março de 1950

PIETRO UBALDI


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